Segunda Edição: Por que não temos as respostas?

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               Após o lançamento da primeira edição da revista Desgovernar, ouvimos de muitos militantes, companheir@s e leitores que nós problematizamos muitas questões, “que até são interessantes”, mas não apontamos as respostas para esses problemas, como quem se isenta de afirmar um caminho. E de fato assumimos a culpa por essa omissão.

               A Revista Desgovernar surge com o sentimento de que precisamos debater assuntos que são ignorados ou já estão dados como esgotados por grande parte da esquerda, e com o sentimento de que o movimento da história nos impõe a tarefa de compreender nosso momento e transformá-lo.  A luta teórica sempre foi parte da tradição das organizações de esquerda, mas, a cada análise de conjuntura ou nota pública que lemos, vemos, quando muito, a disputa entre as certezas de cada organização, e em geral a pura agitação das suas bandeiras.

               A partir da certeza de que é preciso construir uma sociedade livre da exploração do homem pelo homem, de todos os tipos de opressão e libertária, ousamos construir uma revista que não está preocupada em afirmar arrogantemente uma certeza. Aliás, aqueles que estão cheios de certezas estão passando longe de apontar respostas. Fica ainda mais evidente a dificuldade da esquerda organizada de contribuir para esse movimento, uma vez que não há iniciativas de se repensar as formas de intervenção, seus velhos vicios de aparelhamento e suas práticas políticas. Parece que tais organizações sabem exatamente o que fazer e ignoram o descrédito cada vez maior de quem se aproxima.

               Diante dos desafios que estão colocados, é preciso ser audacioso para não oferecer respostas desgastadas, mas de se colocar a disposição para o debate e levantar os questionamentos que possam de fato colaborar para a construção de uma alternativa. Nessa revista, dedicamos alguns desses questionamentos sobre a greve da educação aos professores do municipio e do estado do Rio de Janeiro.

Tive um chão (mas já faz tempo)
todo feito de certezas
tão duras como lajedos.
Agora (o tempo é que fez)
tenho um caminho de barro
umedecido de dúvidas.
Mas nele (devagar vou)
me cresce funda a certeza
de que vale a pena o amor
Thiago de Mello (As ensinanças da dúvida)

Boa leitura!

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