Gloria e a Ganja – sobre racismo e proibicionismo

gloriaganja

No último dia 1 de julho, foi ao ar uma edição do programa Globo repórter sobre a Jamaica. Neste programa a jornalista GlórIa Maria visita uma comunidade rastafári ortodoxa onde é chamada e participou de cerimônia em que se utiliza a Ganja, a Cannabis Sativa, também conhecida por maconha, em nossa cultura.

Ademais de reconhecermos as profundas limitações da produção jornalística corporativa em que se insere o globo repórter, é necessário reconhecer que tanto a escolha da reportagem, se contrapondo as 10 edições sobre Amsterdã (que colorem o sonho colorido dos jovens brancos maconheiros de classe média), quanto a exibição mesma de

Glória Maria consumindo a Ganja são escolhas com rebatimentos positivos.

Sobre a utilização da Ganja pela repórter, em um cenário de hostilidade conservadora no Brasil, é uma importante contribuição contra discursos proibicionistas irracionalistas. Milhões de Brasileiros puderam assistir ao uso de Cannabis por figura pública e observado que ela não quis matar ninguém, nem avançar para drogas mais pesadas.

A reportagem apresentou outra relação de um povo negro com a identidade africana, com a maconha e seus usos rituais e medicinais.Entretanto, as repercussões da reportagem no Brasil demonstram o tamanho da dificuldade de realizar o debate sobre o uso de drogas sem a reprodução do paradigma proibicionista.

Não era de se espantar a reação conservadora a reportagem do Globo repórter, seja na forma de “humor” ou agressivas na forma, na conjuntura de avanço conservador em que vivemos no Brasil. Essas reações ficam mais efusivas ao ter de aturar, Glória Maria, mulher negra, jornalista reconhecida por eles, fumando maconha em rede nacional.

Não é a primeira vez que a proibição do uso da maconha está relacionado com racismo e xenofobia, ao contrário, o proibicionismo no Brasil é uma máquina de moer carne negra. A proibição das drogas justifica a prisão e morte de parte significativa da população negra tratada como excedente na ordem burguesa. A raiz proibicionista da maconha norte americana estava relacionada com a perseguição a mexicanos nos EUA, no Brasil a perseguição aos negros.

Hoje em dia a proibição da maconha e de todas as drogas justifica a militarização da vida, e o extermínio e encarceramento em massa da juventude negra. Torna-se necessário enfrentar o desconhecimento de grande parte da população sobre os efeitos das drogas, a reprodução ideológica de mitos e crendices e manutenção da proibição por moralismo.

Esse moralismo, contudo, tem custado vidas de jovens negrxs e a saúde de pessoas que tem negadas possibilidades de uso não abusivo pela normalização da abstinência.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s